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Relações amorosas além do tradicional; conheça o poliamor

Casais e pesquisadora apresentam a rotina das pessoas que optaram por viver as chamadas relações liv

Sexta | 29.05.2015 | 14h00
Autor: iBahia


Foto: Divulgação

Qualquer maneira de amor vale a pena? Às vésperas do Dia dos Namorados, o iBahia discute o poliamor e apresenta a dinâmica de alguns casais que são adeptos das relações livres.
 

Após o final de um relacionamento monogâmico de quase  10 anos, E.M.A, de 34 anos, técnico em Manutenção de Computadores, decidiu pesquisar e conhecer outros formatos de relacionamentos. "Após ter experimentado a troca de casais e menáge,  comecei a desconstruir o ciúmes e o sentimento de posse. Fui lendo sobre diferentes tipos e formatos de relacionamento, que pareciam funcionar para algumas pessoas.Tive vontade depois disso de encontrar adeptos de relacionamentos livres e do poliamor pra saber um pouco mais sobre o assunto, na prática", recorda-se.

Para a pesquisadora Mônica Barbosa, autora do livro "Poliamor e Relações Livres: do amor à militância contra a monogamia compulsória", a definição do tipo de relação  pode ser feita em uma comparação às relações monogâmicas. "Poliamor e relações livres são movimentos que defendem a possibilidade das pessoas estabelecerem vínculos afetivos e sexuais entre mais de duas pessoas, de forma consensual. Isto quer dizer que as pessoas implicadas numa relação livre ou poliamorosa não oferecem nem exigem exclusividade de seus parceiros ou parceiras e isto é acordado. Já nas relações monogâmicas a exclusividade é obrigatória e qualquer possibilidade de rompê-la é tida como ameaça", diferencia.

Integrante do grupo de pesquisa Cultura e Sexualidade (CUS) da Ufba, Mônica explica ainda que não existe uma fórmula para que as relações livres funcionem de forma harmônica. "Os acordos e os diálogos me parecem fundamentais, além do respeito que é básico em qualquer relação.Passamos séculos aprendendo que o amor verdadeiro pode ser partilhado com uma única pessoa e desconstruir isto leva tempo. Cada pessoa conhece seus limites.  Discuti-los com os parceiros e parceiras ajuda muito a harmonizar a relação. O que está em jogo é a mudança cultural", reflete.

 A relação livre mais duradoura do cozinheiro Luis Pereira durou 5 anos e ele explica que alguns pontos foram acordados para evitar conflitos no futuro. "Toda pessoa tem limites, desejos, experiências que deseja ter e outras que quer evitar. Nesse relacionamento,em questão, alguns limites eram: não se relacionar com amigos/as do parceiro/a, não ficar com outra pessoa se os dois estiveram juntos no mesmo ambiente, etc", afirma.

Questionado sobre o surgimento de ciúmes dentro da relação, Pereira garante que tudo é uma questão de saber lidar com o sentimento. "Ter uma relacionamento não-monogâmico não implica na extinção o ciúme. Eu entendo que esse sentimento continua existindo.  A diferença é como você se relaciona com ele.  Se existe uma compreensão da natureza desse sentimento, não existe mais necessidade de privar sua/seu companheira/o de sua liberdade", diz.

A especialista explica ainda que uma das barreiras para compreensão e aceitação do poliamor é associação imediata de fidelidade com exclusividade amorosa. Para a pesquisadora, é possível ser leal e comprometido com mais de uma pessoa. Outro ponto trazido por Barbosa é a cultura conservadora de uma parte considerável das pessoas. "Vivemos numa sociedade extremamente conservadora e qualquer coisa que lhe não pareça "normal" é alvo de críticas levianas, muitas vezes feitas por gente que camufla suas práticas não convencionais. Gostaria que as pessoas simplesmente se perguntassem "isto serve para mim"? Se não serve, viva sua vida do jeito que bem entende e respeite as diferenças", alerta Barbosa. 

De uma das relações do  Caio Costa, estudante de Análise e Desenvolvimento de Sistemas, nasceu a pequena Luísa, recém-nascida. Sobre as implicações que um bebê pode trazer às outras relações de Caio, ele pondera. "É algo muito recente. É um desafio, pois traz mais insegurança para relação e questionamentos de como passar o ideal de liberdade nas relações que nós cultivamos entre nós", garante. 

Em sua obra, Barbosa faz uma análise política do lugar da monogamia na sociedade, além do paralelo com os direitos sexuais e  humanos. No final da entrevista, a especialista deu uma dica para compreender o amor de um outro ponto de vista. " No livro trago um pouco das histórias das pessoas que estão vivendo mais de uma relação amorosa e sexual simultâneas e vão muito bem, obrigada. Porque o amor é um sentimento revolucionário, generoso e gratificante para quem o sente. O resto é pura convenção," diverte -se. E, aí? Está disposto (a)?

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