Barra Urgente

Barra Urgente


Cultura: Exposição retrata prostituição no Centro Histórico de Salvador nos anos 60

Domingo | 14.01.2018 | 08h13
Autor: Bocão News


Com retratos do universo da prostituição no Centro Histórico de Salvador na década de 60, a Exposição Mulher-Dama, está em exibição de 10 de janeiro a 10 de março, no Museu da Cultura Afro-Brasileira (Muncab), no centro da capital. São 42 fotografias inéditas da Rua do Maciel, no Pelourinho, e uma projeção com outras 53 fotos do Cabaré Meia-Três, na Ladeira da Montanha, que marcam a primeira mostra individual do fotógrafo Flávio Damm, fotógrafo gaúcho, que fez diversos trabalhos em Salvador, com publicações nos livros do escritor Jorge Amado. “Foram fotos feitas em 1966 para um livro que seria chamado Mulher-Dama, com fotos de Flávio Damm com texto de Jorge Amado. Foi um ensaio proposto pelo próprio Jorge. Neste intervalo entre fazer as fotos e publicar o livro, aconteceu o Ato Iinstitucional nº 5. A partir dali seria muito complicado fazer um livro simpático à prostituição, então Jorge desistiu do projeto e ficaram essas fotos guardadas e que pouquíssimas pessoas conheciam”, explicou a curadora da exposição, a arquiteta Silvana Olivieri. Após algumas demolições de prédios antigas na Ladeira da Montanha e na Conceição da Praia, em 2015, a arquiteta teve a ideia de expor o material. “Eu achei que seria muito pertinente a gente mostrar esse material, que trata de espaços de prostituição pra gente discutir a questão da memória, esse apagamento de memória de lugares incômodos para a sociedade e também colocar em questão a prostituição, que até hoje sofre um enorme estigma”, completou Silvana.

Após 50 anos, as fotografias tentam combater o preconceito. A monitora da exposição Mikelly Debragata, acredita que a iniciativa ajuda a combater o preconceito. “Uma coisa muito interessante porque é uma coisa que está bastante escondida ainda. Como monitora eu estou aqui vendo e aprendendo cada vez mais como acontecia no passado e como está nosso presente. O povo ainda não vê direito, não sabe o que essas mulheres passam”, afirmou a monitora, que é mulher trans. A exposição tem apoio financeiro do Fundo de Cultura do Estado da Bahia através do Edital Setorial de Artes Visuais e pode ser visitada de terça à sábado, das 10h às 18h. A entrada é gratuita.

Comentários


Nenhum comentário, seja o primeiro a enviar.